quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sinto muito, mas preciso falar

NA LIXEIRA DA HISTÓRIA,FUTURAMENTE...

(ARTIGO DE OPINIÃO)

Essek W. Kenyon e Kennet Hagin, norte-americanos, criador e divulgador, respectivamente, da teologia da prosperidade nas décadas iniciais do XX, contribuíram de forma ostensiva para desvirtuar os propósitos do Evangelho. Todos nós temos enormes dívidas com o Céu,porém a desses cidadãos são imensuráveis, pois indiretamente foram aliados da sociedade de consumo que privilegia "O TER AO INVÉS DO SER",além de contribuírem para retardar a Providência celeste. Seus danos podem ser comparados aos trazidos pelo Materialismo Histórico e Dialético de Marx e Engels, inimigos de Deus e de Cristo,por isso a Teoria Marxista está praticamente "enterrada" no lixo da História. A teologia da prosperidade sustenta que o sucesso econômico é confirmação da bênção de Deus e que a miséria e pobreza material é resultado da maldição e do pecado.
Sob esse ponto de vista, então podemos afirmar que Jesus era humilde e pobre materialmente porque não tinha a bênção de Deus e era pecador?E mais: o que dizer de seus ensinamentos e práticas que eram 360 graus ao contrário da doutrina da teoria da prosperidade? Além dos diversos problemas sociais trazidos por tal teoria, tais como concentração de renda, desigualdade social, há um outro mais grave: o de natureza espiritual, porque seus seguidores são privados de conhecer qual é o principal propósito de suas vidas que é, justamente, direcionar o curto tempo de existência que ainda lhes restam para se prepararem para uma vida sem fim: a vida eterna. Por isso,o escritor do livro de Hebreus afirmou : "...segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor...". Por isso, também, afirmou Jesus: "...buscai em primeiro lugar o Reino dos Céus..."
Olhando e analisando o estilo de vida dos grandes campeões de Deus – Jesus,(o maior de todos) Paulo, Moisés e tantos outros percebe-se, sem muito esforço, que suas vidas foram marcadas pela simplicidade, desapego material, renúncia, preocupação com a vida espiritual, santificação, sacrifício pelo próximo, vidas carregadas de aflições e dificuldades, ou seja, é o oposto daquilo que sustenta a teoria da prosperidade.O capítulo 11 do livro de Hebreus, versículos 36 a 38, caracteriza bem como era o modo de vida desses campeões:"...Homens que experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões, foram apedrejados,serrados,tentados,mortos a fio da espada;andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras,desamparados,aflitos e maltratados (HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra..."
Por viverem tal tipo de existência foram dignos de serem chamados apóstolos, profetas, bispos, etc. Assim, a teoria da prosperidade trouxe um outro problema: a desvalorização e a banalização desses títulos. Não há em nenhum aspecto como comparar as pessoas que passam a se autoproclamar “apóstolos”, “bispos”, etc. Com os campeões de Deus. Os “bispos” e “apóstolos” modernos têm apreço pela riqueza material, a hotéis cinco estrelas, a viajar em jatinho particular, a confiarem no braço de seus seguranças, ao invés do braço de Deus. "...uns confiam em carros, e outros,em cavalos,mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus...", escreveu o salmista. Vivem a pregar a transitoriedade da vida, o luxo, a ostentação... utilizam o nome de Jesus e versículos descontextualizados para alcançar seus objetivos.
Pergunta-se: Há algum mal em ser rico? Não,(desde que a riqueza seja conquistada de forma honesta,sem exploração de mão-de-obra,sonegação de impostos,exploração mercantil da fé e outros ilícitos) do mesmo modo que não há nenhum mal em ser pobre materialmente. Os campeões de Deus, especialmente Jesus, não levam em conta a questão da pobreza material, mas sim a pobreza espiritual. Deus não está preocupado com a riqueza material, porque toda riqueza LHE pertence. Por isso, ele prioriza a questão da salvação da alma,ou seja,primeiro o Céu depois a Terra.Além disso,a riqueza não nos dá nenhuma garantia de felicidade. Jesus foi taxativo"...de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma...?"No entanto, É bom que sejamos ricos materialmente,embora Jesus não tenha feito nenhuma citação priorizando a riqueza material. os Evangelhos e Jesus mostram claramente que a riqueza espiritual deve prevalecer sobre a material.Seria bem que se tivesse as duas,sem alterar a ordem:..."em primeiro lugar o Reino do Céu..."

A História tem mostrado que todas as ideologias,religiosas ou não, que têm surgido para obstacular o avanço da Providência,mais cedo ou mais tarde sucumbirão (a menos que se adequem aos padrões de Cristo) e irão parar na lixeira da História..

Marcos Antonio Vasco Rodrigues,é professor de Língua Portuguesa. Cristão. Escreve textos,artigos e crônicas. Texto publicado em 17/02/2010 Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la,distribuí-la,exibi-la,executá-la desde que seja citado o autor original.Não é permitido fazer uso comercial desta obra...

6 comentários:

Escritas em Poesias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Escritas em Poesias disse...

Belíssimo texto para reflexão...
O maior dos tesouros, sem dúvida,
encontra-se na alma do ser humano...Fé, doação, amor ao próximo...Enriquece a alma e enobrece o coração!
Amo seus textos...
Parabéns!

rafael disse...

Parabéns pelo texto sóbrio,informativo e bem reflexivo acerca de valores absolutos concernentes ao Evangelho.Concordo de A a Z com suas palavras e conclusões. Muito em breve a teoria da prosperidade será mais uma página virada na História ou como Vc mesmo colocou estará na "lixeira da História".

Basilina disse...

Muito rico seu texto, Marcos,encerra uma boa reflexão sobre valores à luz do Evangelho e está muito bem escrito: com clareza,objetividade e convicção. Parabéns!

jaak disse...

Parabéns Marcos. Só não precisa sentir muito.
Essa é a grande verdade dos nossos tempos e muitos templos.
Sua matéria vem de encontro à vários "explorados" pelo sistema "religioso" com especial destaque à algumas vertentes "evangelica$". Conheço bastante muitas delas e seus "gurus" exploradores da fé ingênua de muitos de nossos verdadeiros irmãos, pouco preparados e em inteiro desespero.
Falta emprego, falta "esperança" e o nosso "desgoverno " colabora cada vez mais para essa teologia da prosperidade de tornar mais e mais forte, excluindo da sociedade os que não têm êxito em sua "fé" material.
Obrigado por nos brindar com este precioso alerta.
Jaak Bosmans

flor morena disse...

parabens belissimo texto...