segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sinto muito, mas preciso falar...

PONHA ESSA ÚNICA CERTEZA NA SUA VIDA...
“Quem ensinar os homens a morrer, os ensinará a viver”.Montaigne, escritor e ensaísta francês da segunda metade do século XVI,conseguiu enxergar através do coração da inspiração e produziu estas sábias palavras.Na verdade, a maioria das pessoas vivem como se nunca fossem morrer. Fazem planos para tudo. Investem esforços e sacrifícios para realizarem seus sonhos de consumo e bem-estar físico. Investem na melhoria da aparência física, até aí nada mal. A busca pelo bem-estar e pela beleza faz parte da natureza humana. O problema é que esquecem ou evitam investir na vida espiritual. Quando a morte vem buscá-las, encontram-nas completamente despreparadas para uma viagem sem retorno.A preocupação com a morte e com a vida pós-morte devem ser uma das prioridades dos homens. O problema é que a maioria deles evita falar sobre o assunto.Assim, a chegada da morte fica terrivelmente dolorosa para quem vai e para quem fica. O fim da vida física deve ser encarada como uma realidade irreversível. Precisa fazer parte de nossas reflexões diárias, de nossas conversas, isto a tornaria mais aceitável. Infelizmente, a maioria dos homens foge dessas reflexões e fixa seus pensamentos e atitudes na cultura que a sociedade,desprovida de valores, constrói para eles. E assim, acabam colocando o trivial sobre o essencial, sem se darem conta disso.INSISTO.A morte precisa ocupar um lugar na nossa agenda. Precisamos reconstruir nossos valores . Nossa visão sobre ela precisa de um novo enfoque.Cristo tem a resposta para este problema. Vejamos qual o conceito dele sobre vida e morte.Certa vez, sob um sol rigoroso, ele caminhava por uma estrada poeirenta e cheia de pedregulhos, encontrou um homem a quem convidou para segui-LO. Disse: - “Vem e Segue-me”. – “Deixa primeiro eu enterrar meu pai”, respondeu o rapaz. Jesus olhou no rosto do moço, desfigurado pela dor da perda, e de pronto disse – “Deixai aos mortos, enterrar seus mortos”.Podemos deduzir pela resposta de Cristo que, estando separados da comunhão com Deus, as pessoas vivas fisicamente, podem ser consideradas mortas. Em outras palavras é um defunto com vida. Assim, o pai do homem estava morto duas vezes: Física e espiritualmente, segundo o próprio Jesus.Há um outro conteúdo, no mínimo “intrigante” na resposta de Cristo. É estranho que alguém mande uma pessoa abandonar o enterro do próprio pai para segui-LO. Mas vendo pelos olhos do espírito, é plenamente compreensível. Ele queria dizer –“Segue-me e ajuda-me a evitar que outras pessoas cruzem a fronteira da morte morto duas vezes como teu pai. “Está morto mesmo, alguém o enterrará ,não perca tempo”.Portanto ,os homens precisam levar a sério o conteúdo do ensinamento de Jesus sobre a vida e a morte. Precisa incorporar também, a visão simples e prática do Mestre sobre a expiração da vida física. A preocupação central de Jesus durante seu Ministério terreno era com a salvação da alma e com o bem-estar de suas vidas no mundo espiritual. Teria Jesus sido tolo em demonstrar tanta preocupação com este tema ou seriam tolos os homens ,que teimam em não colocar a morte como a única certeza de suas vidas?
Marcos Antonio Vasco Rodrigues
Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 29/06/09

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sinto muito, mas preciso falar

Não tenho fé suficiente para ser ateu...

Na sociedade ocidental a palavra ateu significa simplesmente a descrença em Deus. Confesso que até admiro ateus, não por seu ateísmo, mas por terem fé o suficiente para não acreditarem em Deus. Para se declarar ateu é preciso ter muita fé, e bote fé nisso. Eu teria que abrir mão de uma série de obviedades.Inclusive, negar a lei elementar da ciência: a de causa e efeito e ignorar a existência de Jesus histórico (não falo nem do Jesus bíblico), só para citar duas obviedades. Imagine ter que admitir que algo pode vir a existir sem que alguém o tenha edificado, construído, produzido? Confesso honestamente: Não tenho conteúdo, nem fé suficiente para ser ateu. Vendo um Site especializado em ateísmo, li uma lista de pessoas “famosas” de A a Z que se declararam atéias. Até Albert Einstein, cientista que descobriu a Lei da Relatividade aparece na relação como ateu. Einstein, judeu, é autor da famosa frase: “A ciência sem a religião é paralitica, a religião sem a ciência é cega”. A lista relaciona todas as “celebridades” de todas as áreas do conhecimento humano através da História,declaradamente ateus,segundo o Site.É como se os autores da Página quisessem dizer “ Veja, os maiores gênios são ateus. Só os bobos creem em Deus.” Mas, seria isto verdade? Alguém poderia ser extremamente sábio para assimilar conhecimentos extremamente complexos, mas extremamente tolo e rude para assimilar e compreender eventos extremamente simples. O fato de alguém ser um cientista respeitado e famoso ou um ateu que desenvolve uma linha de argumentação aparentemente coerente, não significa dizer que estejam corretos. Afinal, já foi dito por Shakespeare: "há muito mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia possa imaginar". Além do mais, qual a utilidade prática de ser ateu? Isto me fará mais feliz? Sofrerei menos? Deixarei de ter conflitos existenciais? Deixarei de ser pó e cinza? As coisas como são, serão alteradas por causa do meu ateísmo? Contribui para eu ser menos revoltado, menos amargo? Enfim, meu ateísmo está colaborando para um mundo de paz e fraternidade entre as pessoas? Ou tenho que estar fazendo esforços insanos para negar o óbvio? Lembrei de Charles Darwin. Ele era um crente fervoroso que estava se preparando para ser pastor anglicano. Ele tinha 22 anos quando embarcou no BEAGLE ,um veleiro da marinha inglesa. Essa viagem deixou Darwin famoso para o mundo, mas em dívida com o Céu. No seu livro" A Origem das Espécies” ele afirma: “ O mundo não foi criado por ninguém...” “ todos os grupos, inclusive, plantas e microorganismos conduzem a uma única origem da vida na terra – A ameba original”. Com estas afirmações Darwin excluiu a possibilidade de um Ser Criador. Não foi forte o suficiente para acrescentar :“-Mas por trás de todo o processo evolutivo, há uma Mão divina conduzindo esse desenvolvimento”Talvez, eu até gostasse de ser ateu, no entanto, as obviedades não permitem e minha fé é tão pouquinha para isso...


Marcos Antonio Vasco Rodrigues.
Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 21/06/09

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sinto muito, mas preciso falar

PÓ E CINZA, APENAS...
São lugares sombrios, fúnebres. Há, neles, uma atmosfera de sofrida melancolia e doída solidão,mas são também lugares de igualdade onde todos os que vão ali ,independentemente, de sua condição sócio-econômica vão para lamentar e chorar. Poucas pessoas escolhem locais assim para visitar. Nesses lugares a boca insaciável da terra se abre continuamente para tragar com a mais absoluta naturalidade corpos humanos, como um predador faminto devora sua presa. Ela é indiferente aos gritos de oh! meu Deus, e às lágrimas de dor e perda de parentes e amigos que lamentam o fim do ciclo de seus entes queridos.Se o coração da terra falasse, talvez até dissesse: - Aqui é um lugar de democracia, de igualdade. Quem fica lamenta e chora; quem vai, vira pó e cinza.Dediquei um dia de minhas férias para visitar cemitérios de pobres e ricos. Queria sentir na pele, nos olhos e no coração a veracidade da Verdade revelada. “ ...Porque és pó e ao pó te tornarás...” ou “... Não sabeis que és pobre , desgraçado e nu...?Realmente, somos pó em estado sólido, que a qualquer momento pode se dissolver e voltar ao ventre da terra. O profeta Isaías falou sobre isso, dizendo “... toda a carne é erva e toda sua beleza como as flores do campo. Seca-se a erva e caem as flores, soprando nelas o hálito do Senhor, na verdade o povo é erva...”.Por que não fazer visitas periódicas a cemitérios e Uti’s?Eles nos levariam a refletir sobre a tolice do orgulho e da avareza. A futilidade da busca da fama. Nesses ambientes os mais exaltados sentimentos se curvam. O orgulho é humilhado; o poder, o prestigio se tornam impotentes e a exaltação cai de joelhos. Os cemitérios são locaisl em que a força da morte ri dos incautos. Mas isto ocorre apenas com os tolos, aqueles que dão uma dimensão puramente material à sua vida e se esquecem de que são pó e cinza, erva.Os que dão uma amplitude eterna à sua existência, sabem que aquele momento é apenas o cumprimento da Palavra em suas vidas. Para estes, o choro é menos doído, a perda menos traumática.Jesus foi enfático com aqueles que se preocupam apenas com o mundo material: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajunteis tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver vosso tesouro, aí estará também vosso coração. ”Na verdade, a diferença dos cemitérios (públicos) de pobres para os cemitérios onde são enterradas pessoas ricas é apenas externa.Nos cemitérios públicos as pessoas eram, em sua maioria, muito simples. Vi em seus rostos as dificuldades do dia-dia. Era um povo sofrido pela vida de dores que levavam e ,agora no cemitério, pelas dores da perda. As duas dores se fundiam deixando-as curvadas por dentro e por fora. Então lembrei de Jesus “ diz a Bíblia que Ele era um homem experimentado na dor e no sofrimento” “ homem de dores” . lembrei de sua túnica surrada, suas humildes sandálias gastas pelas longas caminhadas. Sua pobreza material. No aspecto externo, eu vi a semelhança entre as pessoas dos cemitérios pobres e a pessoa de Jesus.Mas em todos os cemitérios a cena era a mesma - lágrimas, dor, perda. O destino de todos era um só – O VENTRE DA TERRA, QUE OS TRANSFORMARIAM EM PÓ E CINZA.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues.
Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 11/06/09

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sinto muito, mas preciso falar...

PRÓXIMO AO CORAÇÃO DO CÉU


Meu coração e meus olhos sempre foram atraídos por eles. Desde criança sempre tive um caso de amor com os montes. Nasci numa cidadezinha do interior cercada de pequenas montanhas. Eu não resistia ao fascínio que elas produziam em mim. Meu coração de criança só sossegava quando escalava um deles e ficava observando lá de cima a placidez da minúscula cidade . Às vezes, envolta numa bruma de mistério e encanto. O vento tocava levemente meus cabelos cor de sonho e meu coração infantil ficava perto do coração do céu. Ah! Eu era feliz nesses momentos. Eu tinha vontade de levar o monte para minha casa. Só para mim. Ah! Como eu queria...O certo é que esse ambiente montês e esse clima de transcendência ficaram eternizados no âmago da minha alma.Na cidade, é só agitação, correria... em meio à multidão agitada eu me sinto como um arbusto solitário, e pela mente do pensamento, retorno ao meu tempo de infância. Eu ficava solitário no topo do monte, mas não me sentia solitário.O que há com os montes? Por que Deus os escolheu para serem palcos dos principais eventos da Providência? Estariam eles mais distantes das futilidades, da degradação e da corrupção das partes baixas? Estariam mais próximos do sincero coração do Céu? Certamente. Provavelmente, Deus os tenha escolhido como anfitriões dos maiores eventos de Sua Providência.O pioneiro Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos no monte Sinai, e viu a sarça ardente ardendo incessantemente. Os Israelitas, vindos da escravidão do Egito, acamparam no sopé desse Monte sagrado por onze meses. O profeta Elias, também, conheceu a generosidade e o acolhimento desse local, quando fugia da rainha má Jezabel, que ameaçava matá-lo.Porém, o Sinai é também um local de dor e amargura para Deus. No coração da montanha os Israelitas construíram o bezerro de ouro, manchando a sacralidade desse ambiente celeste.O Moriá é um outro Monte providencial. Ali, Deus ordenou a Abraão que oferecesse Isaque em sacrifício. Já o Monte Sião passou a ser considerado como a Cidade de Deus, a Cidade do Grande Rei, o Monte Santo. Um local de adoração e louvor onde habita o Senhor. Nesse monte, Davi construiu sua casa. Nesse monte, Davi foi sepultado.Mas, apesar de toda História, todo misticismo, simbologia e transcendência dos locais citados, o monte mais significativo para o Cristianismo é o das Oliveiras. Segundo os Evangelhos, nesse monte, Jesus ascendeu aos Céus.Somente na idade adulta, em que ultrapasso a idade em que Moisés foi chamado por Deus para a missão de libertador, é que vim compreender toda essa atmosfera transcendental, todo o clima de paz e serenidade produzido pelos montes. Eles foram escolhidos por Deus como um local onde a gente pode ficar mais perto do coração dEle. Por isso, toda essa saudade que persiste em ser minha companheira. É que por meio do coração do monte, meu coração ficava mais perto do coração do Céu.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues.

Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 31/05/2009

domingo, 24 de maio de 2009

Sinto muito, mas preciso falar...

Quero Ser Primo do Urso ou do Leão, não do macaco...

Quero Ser Primo do Urso ou do Leão, não do macaco...Diz Darwin que dentre os animais, o macaco é o parente mais próximo do homem. É um bichinho alegre, ágil, às vezes, simpático que faz caretas até interessantes, mas não quero ser parente dele. Outras características psicológicas do primata também se assemelham às nossas - é egoísta, superficial, agitado, descuidado e hedonista. Não tenho nenhum preconceito de cor, nunca tive nenhum problema com nenhum macaco... mas já decidi: não quero pertencer à família dos macacos.Há outro animal, até bonitinho, com o qual também não faço questão de ter nenhum parentesco. É a raposa. Na Bíblia, Jesus faz duas referências a ela. Em uma dessas citações o Mestre compara o rei Herodes a uma raposa. Por quê? Analisemos o comportamento da raposa. Ela é extremamente astuta. Mantém vinte esconderijos de comida e guarda na memória a localização de cada um deles. Assalta galinheiros, faz matança além do necessário e vive em grupo.Tem o costume de apoderar-se das tocas feitas por coelhos e texugos. Se analisarmos bem o comportamento e o perfil psicológico do rei Herodes à época, ele se enquadra muito bem com o perfil da raposa. Não. Não tenho nada, também, contra as raposas, mas não quero ser parente e nem ser comparado a elas.No entanto, eu gostaria de ser primo do urso. É um animal estúpido e grosseiro. É antipático, ao contrário do macaco, não anda mostrando os dentes. Gosta de fazer “cara feia” mas é detentor de uma qualidade indispensável a todos aqueles que vivem no reino das dificuldades – A determinação.Caso ele vá subir na árvore e venha a cair e se ferir, ele não desiste – mesmo ferido e machucado, ele continua fazendo as tentativas até conseguir alcançar seu objetivo.Um campeão de Deus, chamado Noé, parece ter incorporado essa característica do urso.A atitude de Noé ultrapassa qualquer limite da compreensão e da razão humana. Por que não construiu a Arca numa parte baixa? Por que não próximo do mar? Do rio? Trabalharia menos e o tempo de 120 anos seria drasticamente reduzido. Por esta razão, Noé foi conduzido a uma situação de incompreensão, solidão e zombaria. Mesmo assim, nunca ficou desencorajado ou perdeu as esperanças. Tinha a determinação de urso e a fidelidade de leão.Por falar em leão, eu gostaria de ser parente muito próximo do rei dos animais. Ele é feroz, ágil e em certo período da vida, apaixona-se para sempre. Nenhum homem, (só Jesus) é tão fiel quanto ele.Após acasalar-se, perde completamente o interesse por outras leoas. É fiel até o fim da vida e sacrifica-se para defender sua querida. Mesmo que sua amada morra, ele não procura outra leoa e fica solitário até a morte. Que ser humano seria capaz de tanta fidelidade e dedicação?Penso que só Jesus. Talvez, por isso, o Mestre da Justiça seja chamado de “O LEÃO DA TRIBO DE JUDÁ”.
Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 24/05/2009

domingo, 17 de maio de 2009

Sinto muito, mas preciso falar...

IDEIAS TRAVADAS...
Elas estavam guardadas nos vários compartimentos do cérebro e do coração de Absalão. Mas um inverno rigoroso havia encharcado os corredores de sua alma e isto travava o fluir de milhões de idéias e pensamentos que houvera armazenado ao longo do tempo, fruto de suas leituras e observações.Precisava escrever sobre algo. E forçou a liberação das ideias. Como num painel, surgiu uma infinidade de temas. E disse de si para consigo: - Escreverei sobre o drama existencial do patriarca Noé construindo a arca do dilúvio no topo da montanha. As ideias até começaram a soltar-se. - Por que no topo da montanha? Pensamentos estranhos quebraram seu raciocínio e inspiração.Ensaiou escrever sobre o romantismo melancólico e pessimista de Lord Byron ou ainda sobre o simbolismo satanista de Charles Baudelaire... não... não. Não era sobre isto que queria falar. Rabiscou um poema sobre o amor, mas só conseguia construir rimas pobres. Queria que seus versos tivessem rimas ricas ou preciosas. Não conseguiria escrever sobre o amor naquele momento e desistiu da poesia. Mesmo assim continuou insistindo. Já houvera lido sobre as teorias da sexualidade de Freud. Escreveria sobre isso? Não. De repente surgiram outros temas: Ah! Já sei. – falarei sobre o Evangelho de Cristo e o evangelho dos mercadores da fé. Já houvera lido os evangelhos várias vezes, por isso pensava dispor de “fogo” na mente e no coração para confrontar os dois tipos de evangelho... Mas ainda não era o momento para escrever sobre este assunto e,então, desistiu. Faria isto no tempo oportuno. E veio-lhe à mente a voz do pregador Juanribe Palharin. Falaria sobre seu fervor e sinceridade. Sua habilidade para pregar, seu amor ao evangelho. Mas também desistiu... falaria sobre ele depois.Por que não conseguia desenvolver suas idéias? No fundo, ele já sabia – faltava sintonia entre seu coração e seu cérebro.Faltava-lhe,principalmente,inspiração. O que seria esse inverno rigoroso que sempre afetava seu coração? Quem poderia reabrir as fronteiras de sua inspiração?Quem poderia dissipar aquele inverno rigoroso de sua alma? Lembrou do conselho de Paulo “... Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas...” Sua alma inalou a mensagem do apóstolo, então, dobrou os joelhos e orou...Marcos Antonio Vasco RodriguesEsta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.Publicado em: 17/05/2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

SINTO MUITO, MAS PRECISO FALAR...

Palavras devastadoras, verdadeiras, necessárias...

-“... Uma geração perversa e adúltera me pede um sinal...”
“... Raça de víboras...”, “... Vós tendes por pai o demônio...”, “... As prostitutas vos precederão no Reino de Deus...”.
As frases acima (há muitas outras semelhantes) estão registradas nos evangelhos e foram proferidas pelo Mestre da Verdade à época de seu Ministério terreno. Pensando bem, são frases chocantes e devastadoras, se levarmos em conta que elas tinham como alvo o povo escolhido de Deus àquela época – os Judeus. As palavras foram dirigidas especialmente aos escribas e fariseus, dois dos mais respeitados e influentes grupos religiosos da época de Cristo.
Os escribas, doutores da lei, eram especialistas em bíblia e cabia-lhes a responsabilidade de interpretar e ensinar as Escrituras ao povo, por esta razão gozavam de grande prestígio e influência na sociedade judaica.
Os fariseus eram um grupo religioso “puritano”, jugalvam-se superiores aos demais e faziam questão de demonstrar santidade exterior. Como os escribas e fariseus, Jesus tivera a mesma educação religiosa que eles, professava a mesma fé e, obviamente, era também judeu.
Nem mesmo o parentesco espiritual e o “status” que esses grupos exerciam na sociedade, impediram que o Mestre fosse extremamente rigoroso e justo com eles. É possível que membros desses grupos dissessem –“Quem pensa que é esse carpinteiro pra nos ofender dessa forma?”. Eles não compreendiam que, para Jesus, aquilo que eles supervalorizavam não tinha valor –“status”, poder, religiosidade, politicagem, riqueza, prestigio... Jesus estava preocupado com a mudança interior de cada um. “Se não tiveres o coração como de criança, não verás a Deus...", “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus...”, “Quem manda, seja como quem serve...”, “Quem quiser ser o maior, que seja o menor...”, “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?”... Em nenhum momento, em nenhuma circunstância Jesus pregou outra atitude a não ser “a mudança do coração”. Aí residiu o grande conflito entre o Mestre e os religiosos da época. Eles buscavam “as coisas deste mundo”. Jesus queria lhes mostrar que eles deveriam “abrir mão” de tudo aquilo que os aprisionava “e, assim, passarem a adorar a Deus “em espírito e verdade”. Para Jesus, o Reino dos Céus, que os Judeus também queriam, não poderia ser construído sem sentimentos nobres –como sinceridade, amor, justiça.. – a ausência de tais sentimentos provocou a “queda” do primeiro casal, deve ter pensado Jesus.
"Escribas e fariseus hipócritas". Hipocrisia. Primeira causa da indignação do Mestre. As atitudes e comportamentos dos escribas e fariseus não estavam de acordo com a religiosidade deles. Faltava-lhes sinceridade. Fingiam virtudes que não possuíam. Pregavam “coisas que não praticavam”. “Fazei tudo o que eles dizem, mas não façais nada do que eles fazem...”, disse amargamente Jesus. Por causa da hipocrisia deles, Jesus afirmou: - “as prostitutas vos precederão no Reino dos céus...”. Que tragédia. Para Jesus, as prostitutas eram mais dignas e sinceras que eles. E haja dor e decepção no coração do Senhor da Verdade.
Um outro motivo parece ter sido a profunda ingratidão e incompreensão por parte dos líderes religiosos sobre a Providência celeste. Sobre isso, Ele disse certa vez: -
“Se vocês acreditassem em Moisés, acreditariam também em mim, pois de mim escreveu ele...”
Portanto, a decepção que seu próprio povo lhe causara fora também uma das razões para que Jesus utilizasse essas frases devastadoras contra, principalmente, os lideres religiosos. Parece-me terem sido estes, os dois principais motivos que levaram Jesus a indignar-se contra eles, a ponto de declarar: “... Vós tendes por pai o demônio e vós quereis fazer os desejos de vosso pai...”.
Que horror... O povo escolhidos de Deus, havia trocado de pai. Imagino com que dor amarga no coração Jesus foi obrigado a fazer essa declaração. Segundo o próprio Jesus, o povo a quem Deus houvera escolhido, havia trocado de pai. Era um pai terrivelmente cruel. “Jesus deu as características dele”... - “Ele foi homicida e traidor desde o princípio...” Ao fazer esta declaração, lágrimas de decepção dor, angústia e amargura devem corrido pela Sua face sulcada de rugas. Sim, rugas produzidas pela exposição excessiva ao sol escaldante do deserto. Aqueles a quem Deus havia investido todo sacrifício e esforço para prepará-los a fim de cooperarem e apoiarem Sua missão, agora eram um de seus adversários, deve ter pensado Jesus.
Imagino que nesse tenso momento, o “HD” de Jesus processou e trouxe à mente dEle o sofrimento do povo no cativeiro da Babilônia, a escravidão no Egito, o sofrimento de Noé, Abraão, Moisés... de tantos outros, porque todos os trabalhos de Deus e dos profetas do Velho Testamento se resumiram nele - Jesus.
Mas o povo, principalmente, os líderes, não foram capazes de compreender isto. Por isso, as palavras do Mestre não eram só devastadoras. Já era um juízo para um povo que se negava a compreender a vontade dEle e a de Deus...
Por isso chorou... CHOROU AMARGAMENTE...
Marcos Antonio Vasco Rodrigues

Esta obra está registrada e licenciada. Você pode copiá-la, distribuí-la, exibi-la, executá-la desde que seja citado o autor original. Não é permitido fazer uso comercial desta obra.
Publicado em: 05/05/2009